A imprescindível Greve!

greveNo Estado Capitalista é possível detectar três características para quem governa impor aos governados sua vontade:

O Poder Econômico – permite um conjunto de poderes economicamente favorável aos seus interesses, reprimindo sob julgamento o outro.  O exemplo da relação entre patrões e empregados, onde os primeiros – que detêm os meios de produção – impõem as condições de trabalho e de salário dos segundos é muito ilustrativo.

O Poder Ideológico – é mais sutil e como conseqüência, mais eficiente, através de um arcabouço de métodos e artimanhas busca a persuasão do outro, condicionando sua passividade através do processo de convencimento. Nesses casos a sutileza é tamanha que os interesses do déspota são apresentados como interesses de todos, inclusive do próprio oprimido.

O Poder Político – repousa no poder coercitivo, das armas e das leis. Nesse caso, o poder político é usado quando os dois primeiros meios se tornam insuficientes para garantir a estabilidade social, política e econômica daqueles que se beneficiam desta relação de poder. O que caracteriza o poder político é o uso exclusivo da força.

Nesse momento o prefeito Gean Loureiro (PMDB) já utilizou os dois primeiros mecanismos: no quesito poder econômico, aprovando o fim do plano de carreira dos servidores e o desmantelamento a curto prazo do serviço público para a população que mais precisa, tudo isso através de uma base aliada na câmara de vereadores, a qual, em sua maioria, foi patrocinada também pela elite econômica. O poder ideológico se deu em grande parte pelo trabalho ostensivo da grande mídia corporativa que tenta colocar a população, que será a maior prejudicada, contra os servidores. 

Ao invés de buscar o “x” da questão, investigando com profundidade a raiz do problema, ou seja, a ingerência de décadas dos mesmos grupos políticos (o que inclui o próprio prefeito), a benevolência com os sonegadores, os esquemas de corrupção e a sanha para garantir a terceirização e privatização envolvendo a Parceria Pública Privada, numa clara subserviência aos detentores do capital.  

Mesmo lançando mão desses capciosos artifícios, o prefeito do PMDB não garantiu a aceitação por parte dos envolvidos (servidores) e muito menos garantiu a opinião pública a seu favor, ao contrário, vemos um crescimento da greve e um olhar de desconfiança do povo com uma gestão que inicia em meio a inúmeros problemas e quebrando suas promessas de campanha.

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A última saída, a coerção política por meio da violência estatal e a intimidação judicial com a possibilidade de prisões dos dirigentes sindicais (que têm garantido constitucionalmente o direito de greve) é a prova cabal da falta de controle do Executivo.

Os servidores municipais dão mostras da imensa maturidade que possuem quando se lançam em uma greve não apenas para manter sua dignidade, mas principalmente pela nobre iniciativa de lutar para que a população da cidade não perca seu direito aos atendimentos essenciais e de qualidade do serviço público.

Diferentemente da opinião de alguns colunistas políticos que fazem parte da camarilha que governam nossa cidade há décadas é factível afirmar que: o prefeito e os vereadores da situação foram longe demais. Ou se cumpre o rito democrático que estabelece os direitos das partes, ou estará implantada em Santa Catarina uma Ditadura Fascista.

Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes.” Abraham Lincoln

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